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Produtividade

Quanto devo cobrar? Modelos para definir o teu preço como freelancer

SFEquipa Simple.fi1 de junho de 20267 min de leitura
freelancer a fazer contas com calculadora e portátil
Foto de fonte pública gratuita (Unsplash, Pexels, Wikimedia Commons). A substituir por uma foto específica do tema.

Muitos freelancers definem o preço por instinto, ou copiam o que os outros cobram. O resultado é quase sempre cobrar a menos. Não há uma única fórmula certa: há vários modelos, e o melhor é combiná-los. Aqui ficam quatro formas de chegar ao teu preço.

Antes dos modelos: o que o teu preço tem de cobrir

Como freelancer, do valor que faturas ainda saem impostos e contribuições, tens despesas do negócio, e nem todas as tuas horas são faturáveis. Qualquer modelo tem de contar com:

  • Segurança Social: 21,4% sobre 70% dos teus serviços.
  • IRS: no regime simplificado, 75% do que faturas é tributado (coeficiente de 0,75), sobre o qual incide o IRS conforme o teu escalão.
  • Despesas do negócio: software, equipamento, contabilista, deslocações.
  • Tempo não faturável e ausências: férias, dias de doença, feriados e o tempo de gerir o negócio.

Modelo 1: custo mais margem

Parte de baixo para cima: soma todos os teus custos anuais (pessoais e do negócio), acrescenta a carga fiscal e de Segurança Social, e junta a margem de lucro que queres. Divide pelo número de horas realmente faturáveis por ano. Dá-te o preço mínimo abaixo do qual estás a trabalhar a perder.

Modelo 2: rendimento-alvo

Começa pelo fim: define o rendimento líquido que precisas de ter por ano. A partir daí, trabalha para trás, somando impostos, Segurança Social e despesas, até chegares ao valor que tens de faturar. Divide pelas horas faturáveis para obter a tarifa. É útil quando tens uma meta clara de quanto queres levar para casa.

Cuidado com as horas faturáveis: não são as 40 por semana. Depois de tirar férias, admin, propostas e tempo morto, muitos freelancers ficam por 20 a 25 horas faturáveis por semana. Usar o número real muda tudo.

Modelo 3: referência de mercado

Olha para o que profissionais com experiência semelhante cobram no teu setor e região. Não é para copiar, é para te posicionares: sabendo a média do mercado, decides se ficas na banda alta (mais experiência, mais procura) ou mais abaixo (a começar, a construir portefólio). Combina isto com os modelos de custo, para não descer abaixo do teu mínimo só para acompanhar o mercado.

Modelo 4: preço pelo valor

Em vez de cobrar por hora, cobra pelo valor que entregas. Se um trabalho poupa ou gera muito dinheiro ao cliente, um preço por projeto ou por pacote pode valer muito mais do que as horas que te leva. Este modelo premeia a eficiência: quanto melhor e mais rápido és, mais ganhas por hora efetiva, ao contrário do preço à hora, que te penaliza por seres rápido.

Qual usar?

Usa os modelos de custo e de rendimento-alvo para definir o teu chão (o mínimo). Usa a referência de mercado e o preço pelo valor para definir o teto (quanto podes realmente cobrar). O teu preço final vive entre os dois, e conhecer ambos dá-te confiança para negociar e para dizer não ao que não compensa.

Este artigo tem fins informativos e não substitui aconselhamento fiscal ou contabilístico personalizado. As taxas, limites e regras podem mudar. Confirma sempre a tua situação junto de um contabilista certificado ou das entidades oficiais indicadas.

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